Pense em mobilidade sustentável
Se considerarmos que o império do veículo automotor individual está baseado em um investimento vultoso em propaganda, e que toda a sociedade “civilizada” está num processo de sedentarismo crescente, é possível antecipar os entraves à lei da política de mobilidade urbana sustentável, pois não se está falando de ideologia, mas em modificar hábitos de vida.
Os cicloativistas e professores dedicados à extensão universitária propiciaram a relação de líderes e técnicos municipais, estaduais e nacionais envolvidos no processo de produção (e execução) da política para a mobilidade sustentável, com organizações e programas que são referência em nível internacional sobre o uso da bicicleta. Os técnicos se beneficiam por perceber que seu trabalho está em sintonia com as boas práticas internacionais sobre o tema, sentindo-se amparados, gerando reconhecimento, que pode não estar acontecendo pelos seus colegas de trabalho, nem pelo Prefeito de sua cidade, ou seu Reitor, mas é reconhecido por muitos colegas do mundo, que como ele, estão fazendo a sua parte.
Nos excelentes textos que disponibiliza o Ministério das Cidades, o assunto, o argumento, pode ser considerado como pronto – há histórico, problemas e soluções (no papel). Mas, como eu, como ativista que vem participando dentro do processo, bem sei que papel é papel, letras são letras, e as palavras não mudam a política pública, nem as leis o fazem, pois que elas são descumpridas ou alteradas conforme a “necessidade”. Não é o Estado, não são as leis, nem os técnicos, nem a população que modificam a sociedade, mas o seu conjunto; sendo as mudanças o resultado dos embates entre os vários segmentos, com diferentes ideologias e posturas não só políticas, mas de “hábitos de vida”.
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