Um carro a menosUso da Bicicleta no Brasil

Diz-se que a bicicleta é “transparente” ou “invisível” na circulação não só por suas características físicas – extremamente simples, mas também pelo baixo impacto que causa ao ambiente, seja pelo porte da infra-estrutura necessária à circulação e ao estacionamento, que demanda pouco espaço, seja ausência de ruídos e de emissão de gases. Muitas vezes, a bicicleta não é bem-vista pelos usuários das vias, somente sendo percebida quando julgam que ela “atrapalha o trânsito”, não se levando em conta o inestimável benefício social que ela representa. Todavia, entre os responsáveis pela gestão do transporte e do trânsito de grande parte das cidades mais importantes do País, a bicicleta é vista com grande interesse.

 

Independentemente das pesquisas, pode-se afirmar que a bicicleta é o veículo individual mais utilizado nos pequenos centros urbanos do País (cidades com menos de 50 mil habitantes), que representam mais de 90% do total das cidades brasileiras. Ela divide com o modo pedestre a esmagadora maioria dos deslocamentos nestas cidades.

 

Nas cidades médias, o que muda em relação às pequenas cidades é a presença eventual de linhas de transporte coletivo, às vezes em condições precárias, pois a exploração dos serviços só se torna viável quando a demanda é concentrada e as distâncias são grandes. A situação somente muda nas grandes cidades, onde há oferta significativa de transporte coletivo, associada a um tráfego mais denso e agressivo, representando maior tempo despendido nos deslocamentos diários. Por isto mesmo, as bicicletas se encontram presentes em grande número nas áreas periféricas das grandes cidades, onde as condições se assemelham às encontradas nas cidades médias, sobretudo em função da precariedade dos transportes coletivos e da necessidade de complementar seus percursos.

As bicicletas são, portanto, os veículos individuais mais utilizados no País, constituindo na única alternativa ao alcance de todas as pessoas, não importando a renda, podendo ser usadas por aqueles que gozam de boa saúde, a partir da infância até a idade mais avançada.

Gráfico de divisão modal

Em suma, ela é utilizada por expressiva porcentagem dos habitantes das cidades pequenas e médias, em todos os rincões do Brasil, independente da base cultural, clima, nível de renda e escolaridade da população. Entre seus usuários mais freqüentes encontram-se industriários, comerciários, operários da construção civil, estudantes, entregadores de mercadorias, carteiros e outras categorias de trabalhadores. Os períodos mais favoráveis à constatação desse fenômeno são: entre 6h e 7h, e das 16h às 19h dos dias úteis.

A frota de bicicletas no Brasil, estimada para o final de 2005, era de 60 milhões, segundo o relatório “O Mercado de Bicicletas no Brasil”, da ABRACICLO e ABRADIBI. No entanto, este é um dado estimativo. Habitualmente, era considerado que a frota nacional correspondia à produção/venda dos últimos 9 anos – tempo estimado da durabilidade de uma bicicleta. Atualmente, dada a condição mais descartável de boa parte da produção, os órgãos patronais do setor passaram a considerar a durabilidade da bicicleta brasileira como de apenas 7 anos.

Um dado contraditório, entretanto, é o fato das indústrias de coroas de bicicletas afirmarem que produzem anualmente cerca de 13,5 milhões dessas peças. Mesmo considerando que 1% permaneça em estoque nas fábricas e com os revendedores e, ainda, que 14% sejam comprados para substituições e como estoques para futuras comercializações pela rede de oficinas e peças de bicicletas, seriam 11,5 milhões de bicicletas montadas anualmente. Isto porque a cada coroa corresponde uma bicicleta, e necessitam-se dessas peças em ocasiões apenas: 1) quando é montada a bicicleta; ou 2) quando ocorre a necessidade de trocar a corrente e a coroa da bicicleta.

Neste último caso, é comum substituir a coroa do veículo junto com as outras peças. Por tais considerações e em comparação aos números informados pela indústria formal de bicicletas, ou seja, produção anual de 5,5 milhões, é possível dizer que praticamente outra quantidade igual a esta é montada por lojas de bicicletas e por o?cinas de “fundo de quintal”. Com estes novos números, pode ser dito, mesmo tendo as bicicletas durabilidade de 7 anos, que a frota brasileira se aproxima de 75 milhões de unidades.

Nos gráficos seguintes, são apresentadas outras informações constantes do mesmo relatório do setor produtivo, organizado e divulgado pela ABRACICLO e ABRADIBI. A distribuição por região e os modelos, são apresentadas nos gráficos a seguir:

 

Distribuição por região

Frota e Mercado de Bicicletas

Evolução do Mercado de Bicicleta

Em razão desses dados, é possível dizer que o Brasil possui a sexta maior frota de bicicletas entre todas as nações, estando atrás apenas de China, Índia, EUA, Japão e Alemanha. É importante ressaltar que o Brasil era, em fins de 2004, o terceiro maior fabricante mundial de bicicletas, segundo a ABRACICLO. No entanto, com uma produção de cerca de 5,5 milhões de unidades estava atrás da produção da Índia, com 10 milhões de unidades, e muito aquém do número de unidades produzidas pela China, com 80 milhões de unidades.

 

 

 
 

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